Tuesday, April 26, 2005

Auto-ajuda catastrófica

Um dia o Sol e a Lua colidiram. Não sei que horas eram.
Uma tempestade iluminada por relâmpagos irrompeu espontâneamente, acompanhada por nevascas e pequenas faíscas incandescentes. Era o fim? O que fazer? Comecei a correr descompassadamente, estimulando pensamentos aleatórios.
A distância entre o bem-estar e o mal-estar é minúscula. Às vezes parecem um estado só, fundido. Tudo pode mudar a qualquer instante. Cada circunstância deforma os sentimentos ao invés de moldá-los. A desnaturação sentimental é irreversível. Algumas de nossas relações não são danificadas por essa imprevisível metamorfose dos sentimentos. Elas têm o talento de admitir e lapidar arbitrariamente qualquer mudança inerente de nossa parte. Com efeito, apenas algumas relações são capazes disso.
Não pisquemos jamais. Qual é a sua realidade neste exato momento? Talvez a fusão do Astro com o satélite da Terra tenha alguma coisa a ver com isso: eles não estão tão distantes em escala universal. [O chão começou a chacoalhar]. Parei de me movimentar e contemplei o céu extraordinário. [Uma inusitada aurora-boreal listrada por incontáveis arco-íris aconchegou-se na esfera celeste].
Não importa qual fusão seja, sempre atinge alguém, sempre atinge alguéns. Nosso planeta mantinha a noite e o dia gregorianamente separados. Somos cúmplices. De vez em quando o mundo precisa acabar para nós justificarmos nossa inaptidão de conviver em sociedade. O mundo está aí...
Segunda-feira, vinte e oito de junho de dois mil e quatro, dezessete horas e dezesseis minutos.