Monday, September 12, 2005

Noruega

Foi logo depois da minha grande descoberta: a Santo Amaro deságua na João Dias.
Sábado à tarde. Queria chegar até o centro. Não sou fanático por churrasco, mas o réquiem da véspera do aniversário das gêmeas ecoava nos meus ouvidos. Carne sangrenta.
E eu levei um murro como se não houvesse amarelo entre o verde e o vermelho. Uma felicidade atormentou meu corpo. Não era alegria. Tudo muito leve e imperdoável. Não conseguia disfarçar - meu sorriso era constante. Bonito. Um homem sorrindo. Eu não reconheci tristeza alguma dentro de mim.
O ovo. O ovo da Clarice.
E sorri. Sem vírgulas.
Ofegante. Tentei anestesiar essa felicidade insuportável.
Porque tudo de repente valeu a pena. Eu ia para o centro.