(entre parenthèses)
E eu resolvi intencionalmente tomar um café no aeroporto, assistindo meu coração angustiado e aos aviões decolarem. Ela aceitou o abusivo convite, porque o amor dela é bonito. Era urgente. Alguns coadjuvantes iam embarcar para a Alemanha e morar lá por um sempre passional e a placa do meu carro (DNS 7766) não estava apta a circular pela urbe.
Lá pelos trinta minutos atravessados das duas da tarde do décimo dia do oitavo mês do ano, o carro dela estava no meu portão verde, ansioso por mim. Corremos. Ela nem conhecia os coadjuvantes, mas mesmo assim me transportava até o aeroporto internacional de Guarulhos.
Ao longo do percurso, ela me perguntou jocosamente: "E aí? Vamos para o Rio?" Olhei seriamente nos olhos dela e sorri: "Vamos." Ela hesitou um pouco e abriu aquele contorno nos lábios, escondendo uma ansiedade atrás dos seus vinte anos. O aeroporto foi palco de uma angustiante despedida protocolar. O meu alterego germânico foi chorar no banheiro. E voltou.
Saímos do aeroporto e miramos o veículo rumo ao Rio.
(Rio)
Eu tinha trinta e seis reais. Não paguei gasolina. Não paguei pedágio. Não paguei hospedagem. Não paguei alimentação alguma, nem a lula à doré em copacabana. Não paguei meu chopp. Não paguei minha cueca. Não paguei meu soro para lavar o nariz, muito menos os comprimidos para minha gripe. Não paguei a pizza com o Pedroca. Não paguei a Casa da Matriz. Não paguei.
Esse hiato carioca durou dois dias. Ela me proporcionou. Proporção.
Ela sorri e desestabiliza meu mal-estar. Este está consumindo minhas capacidades diariamente. Meu pai, minha mamãe, o condado. O bloqueio finaceiro. Quando minha situação econômica normalizar, quero retribuir. Eu vou retribuir.
Mas o amor é bonito.
Os meus amigos estão me financiando. Não sustentando. Eles sabem que o amor é bonito.
Já fiz isso. Hoje eu sou feito.


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