Saturday, December 24, 2005

azimutal

Fazia tempo que eu não abria um presente grande. Especialmente da maneira mais pueril possível: esmigalhando o embrulho.
Um globo-luminária terrestre. Não era tão grande como imaginei. O mapa era feio e distorcido. Nem arrisquei conferir se Timor Leste constava. Fiquei perturbado com as horríveis cores do relevo, que manchavam o mapa inteiro. Os territórios seccionados pela linha do Equador estavam deformados. Esticados. Muito feio.
O meu irmão ganhou um globo-luminária celeste. Faz mais sentido. Nossa ignorância astronômica acerca das constelações obstruía qualquer imperfeição. Até mesmo o meu insuportável perfeccionismo não contaminaria aquela linda esfera azul.
Reclamei.
Mimado. Corrosivo. Queria ir na loja trocar por outra coisa.
Os olhos maternos, embaçados de lágrimas, disseram: "Para seu irmão eu dei as estrelas, e para você o mundo."