Eine tupiniquinische Antropofagie

Talvez porque eu abarque a impetuosidade anti-tecnocrata do Sturm und Drang e tenha me entusiasmado com a atmosfera expressionista de Dresden durante os encontros coléricos do grupo Die Brücke. Confesso que diversos acasos também ajudaram a despertar um godo latente dentro de mim. Não sei. Com efeito, sempre estive concatenado com a cultura alemã.
Entre germanismos mil, ao mergulhar no incrível universo do Ludwig Museum, em Köln, pude entrar em contato com assustadoras imagens penduradas na parede. Meus quinze anos foram incapazes de compreendê-las; tanto pela resistência idiomática que o alemão ainda oferecia, até pela agressividade que ofuscava meus jovens olhos. Esse museu retoma um recorte temporal dos séculos XX e XXI. Arte que não faz a mínima questão de agradar filisteus de plantão.
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Mas afinal: o que significavam aqueles quadrinhos horripilantes?
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Tratavam-se de ilustrações feitas em 1844 pelo médico Heinrich Hoffmann (1808 - 1894), cidadão de Frankfurt am Main. Ele não encontrava nas livrarias um livro infantil adequado como presente natalino para seu filho Carl, de três anos de idade. Então ele decidiu compor e ilustrar um livro amador de poemas curtos.
As histórias de estilo ingênuo, narram de forma bastante elucidativa como crianças são castigadas no caso de maltratarem animais, brincarem com fogo, chuparem o dedo, não tomarem sua sopa, fizerem bangunça à mesa, etc. Já na introdução ao livreto as crianças ficam sabendo o que ganharão de natal se forem sempre bem comportadas, se comerem a sopa, não fizerem barulho ao brincar e seguirem as instruções da mãe ao andar na rua. As intenções didáticas do médico e patriarca de origem burguesa são evidentes e caraterísticas para o período conhecido como Era dos Biedermeier (1815 a 1848) na Alemanha.
Os amigos de Hoffmann insistiram para que ele publicasse o livro. Este foi publicado em 1845 em Frankfurt com o título "Histórias engraçadas e desenhos divertidos" com um tiragem de 1.500 exemplares, vendidos em apenas quatro semanas. A famosa história do "Struwwelpeter" só é adicionada ao livro em 1846, batizando-o como seu título definitivo.
Mais tarde o desenho do "Struwwelpeter" passa a constar na capa e se transforma em uma logomarca inconfundível. O livro tem sido discutido veementemente a muito tempo por causa das suas drásticas ameaças de punição às crianças. Apesar disto o livro teve centenas de edições, incontáveis traduções, foi reescrito muitas vezes e se tornou um best-seller mundial. Mark Twain traduziu o livro para o inglês (¨Slovenly Peter¨). Hoje em dia nenhum amador do Struwwelpeter defenderia o livro como instrumento pedagógico efetivo. Lembranças da infância e nostalgia constitui os ingredientes de seu sucesso sem fim.
O substantivo próprio ¨Struwwelpeter¨ origina-se de um binômio lexical alemão: o adjetivo strubbelig ou struppig (descabelado), que no dialeto de Frankfurt se pronuncia ¨struwwelig¨, e foi traduzido cerca de 1871 no Brasil para ¨felpudo¨. Já Peter (Pedro) é um nome muito difundido e conhecido no mundo ocidental. Se traduzíssemos literalmente o Struwwelpeter alemão, este chamar-se-ia Pedro Descabelado, porém um autor lusófono reinventou esse símbolo alemão e o coloriu com um nome mais verde-amarelo: ¨João Felpudo¨. A história desse autor conta como Pedro abrasileirou-se em João.
O substantivo próprio ¨Struwwelpeter¨ origina-se de um binômio lexical alemão: o adjetivo strubbelig ou struppig (descabelado), que no dialeto de Frankfurt se pronuncia ¨struwwelig¨, e foi traduzido cerca de 1871 no Brasil para ¨felpudo¨. Já Peter (Pedro) é um nome muito difundido e conhecido no mundo ocidental. Se traduzíssemos literalmente o Struwwelpeter alemão, este chamar-se-ia Pedro Descabelado, porém um autor lusófono reinventou esse símbolo alemão e o coloriu com um nome mais verde-amarelo: ¨João Felpudo¨. A história desse autor conta como Pedro abrasileirou-se em João.
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Die Strategie der Antropofagie, der "Menschenfresserei", zielt auf kulturelle Aneignungsverfahren des Fremden: Das Andere wird verschlungen, dem eigenen Stoffwechsel-system zugeführt und dient somit als Baustein einer eigenen unverwechselbaren Identität im Hinblick auf eine mögliche kulturelle Erneuerung. Dieses Verfahren plädiert für eine Einverleibung statt einer Zurückweisung, für eine Aneignung statt einer Angleichung und bietet die Chance, Abgrenzungen und Hierarchisierungen zugunsten einfühlender und gleichberechtigter Unmittelbarkeiten im Umgang mit Kulturen zu hinterfragen.

