Geisteswissenschaft
A minha relação com as ciências exatas sempre foi pertubadora.
Meu raciocínio humanóide nunca permitiu uma cosmovisão geométrica do mundo. Sempre me senti analfabeto ao tentar decifrar a linguagem universal. A matemática nunca me seduziu. Passava reto. Esnobava.
Já a física foi ficando mais atraente ao longo dos anos. Comecei a desviar meus olhos, seguindo vetorialmente a teoria e me apaixonando escalarmente. Meu referencial mudou. Mas a física me abandonou. Sou desprezível em seus problemas.
A química sempre foi minha companheira. Eu adorava passar horas tentando entendê-la. Ficava muito enciumado quando ela reagia com a matemática, mas logo me encantava com sua complexidade convencional e suas analogias abstratas. Brincar com bolinhas de laboratório para montar terríveis seres míticos com as esferas que compõe as colossais cadeias carbônicas era a energia de ativação necessária para minha imaginação transgredir. A química não quer saber de mim. Evaporou da minha vida.
Naturalmente, quem ficou foi a matemática. Essa não sai do meu pé.
Hoje eu tive aula de Metamathematik ou Übermathematik. Filosofando através de axiomas matemáticos comecei a cogitar uma branda aproximação. Porém isso fica no intervalo entre mim e ti.
Nosso conjunto ainda é vazio.

